Foi a primeira vez que meu marido me tocou em três anos, e o olhar nos olhos dele me apavorou mais do que o sangue se espalhando aos meus pés.

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Chapter 4

Dois dias depois, Marcus reuniu sua equipe de segurança na sala de estar, mapas e fotografias espalhados sobre a mesa de vidro que antes exibia apenas esculturas decorativas.

— Damian tem uma propriedade às margens do Hudson, usada para reuniões que ele prefere manter longe de olhos curiosos — explicou um dos homens, apontando para uma foto aérea. — Nossa fonte confirma que ele estará lá amanhã à noite, para resolver pessoalmente o problema do informante descoberto.

— Quero uma equipe posicionada no perímetro até o anoitecer — ordenou Marcus. — Discreta, sem confronto direto até eu dar a ordem.

Sentada ao lado dele, pela primeira vez incluída abertamente nas decisões que envolviam minha própria segurança, senti uma mistura estranha de medo e um pertencimento que eu nunca tinha experimentado naquele apartamento.

— Marcus, e se ele descobrir que você está indo atrás dele? Isso não pode piorar tudo, colocar mais gente em perigo?

— Ficar esperando ele agir primeiro já nos custou três anos de vida, Isabella. Não vou esperar mais.

Naquela noite, incapaz de dormir, encontrei Marcus no escritório, observando fotografias antigas de Damian Kostas espalhadas sobre a mesa.

— Você não devia estar descansando? — perguntou ele, sem erguer os olhos.

— Você também não.

Ele suspirou, finalmente olhando para mim.

— Tenho medo, Isabella. Não de Damian pessoalmente. De perder você justamente agora, quando finalmente posso admitir o que sinto.

Aproximei-me, sentando na cadeira ao lado dele, tocando sua mão pela primeira vez por iniciativa própria.

— Você não vai me perder. Vamos enfrentar isso juntos, como deveria ter sido desde o início.

Ele entrelaçou nossos dedos, um gesto simples que carregava o peso de tudo que tínhamos perdido e do que talvez ainda pudéssemos construir.

No dia seguinte, a operação começou ao anoitecer, exatamente como planejado.

Fiquei na mansão, contra minha vontade, mas seguindo a insistência absoluta de Marcus de que eu permanecesse em segurança enquanto ele e sua equipe se aproximavam da propriedade de Damian.

As horas se arrastaram, cada minuto carregado de uma ansiedade que eu nunca tinha sentido antes.

Por volta da meia-noite, meu celular tocou — o número de Marcus.

— Alô? Marcus?

A voz que respondeu não era dele.

— Sua espera acabou, Isabella Valentino.

Meu sangue gelou instantaneamente.

— Quem é você?

— Você sabe exatamente quem eu sou. E sabe exatamente o que eu disse que aconteceria, se Marcus algum dia esquecesse nosso acordo.

— Onde está o Marcus? O que você fez com ele?

— Seu marido está bem, por enquanto. A pergunta agora é: até quando ele vai continuar bem, dependendo do que você decidir fazer nos próximos minutos.

O terror que me atravessou foi mais intenso do que qualquer coisa que eu já tinha sentido, incluindo a noite do vaso quebrado.

— O que você quer de mim, Damian?

— Quero que você venha até aqui, sozinha, sem os homens de Marcus por perto. Ou ele não sai vivo dessa propriedade.

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