Foi a primeira vez que meu marido me tocou em três anos, e o olhar nos olhos dele me apavorou mais do que o sangue se espalhando aos meus pés.

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Chapter 5

Dirigi sozinha até a propriedade às margens do Hudson, o coração martelando tão forte que eu conseguia ouvi-lo por cima do som da chuva contra o para-brisa.

Um dos capangas de Damian me esperava no portão, revistando-me rapidamente antes de me conduzir até um galpão iluminado por lâmpadas fracas, penduradas precariamente no teto.

Marcus estava ajoelhado no centro do galpão, as mãos amarradas atrás das costas, um corte visível na altura da sobrancelha, mas os olhos ainda ardendo com uma fúria contida ao me ver entrar.

— Isabella, não devia ter vindo!

— Cale a boca — ordenou Damian Kostas, surgindo das sombras, um homem de meia-idade, elegante, com um sorriso que parecia genuinamente satisfeito com a situação. — Finalmente, depois de tantos anos, vejo do que exatamente Marcus Valentino abriu mão de proteger.

— Solte ele — falei, tentando manter a voz firme apesar do tremor evidente. — Foi comigo que você quis falar. Aqui estou.

Damian caminhou lentamente ao meu redor, estudando-me como quem avalia uma peça de museu.

— Sabe, durante quinze anos, esperei o momento certo para fazer Marcus pagar pelo que o pai dele fez com meus negócios. E, durante três anos, observei ele fingir indiferença por você, pensando que estava sendo esperto o suficiente para me enganar.

— Ele te enganou. Você só descobriu agora.

— Descobri a tempo, ao que parece.

Damian se aproximou de Marcus, um revólver aparecendo em sua mão com uma naturalidade aterrorizante.

— Sabe qual é a ironia, Isabella? Eu nunca quis realmente machucar você. Sempre foi sobre fazer Marcus sofrer, vendo algo importante para ele ser destruído diante de seus próprios olhos.

— Então me solte, e resolva isso comigo, homem a homem — interveio Marcus, a voz rouca, mas firme. — Ela não tem nada a ver com a briga entre nós dois.

— Ela tem tudo a ver, justamente porque você a transformou na coisa mais importante da sua vida.

Naquele momento, percebi um movimento sutil atrás de Damian — sombras se aproximando silenciosamente pelas laterais do galpão.

Os homens de Marcus.

Ele deveria ter percebido também, porque seus olhos brilharam com um alívio cauteloso.

— Damian, antes de fazer qualquer coisa precipitada — falei, tentando ganhar tempo, minha voz mais firme do que eu me sentia — quero que saiba de uma coisa.

— O quê?

— Marcus me contou tudo sobre sua ameaça, sobre os últimos três anos. E, mesmo sabendo de todo esse perigo, eu escolho ficar ao lado dele de qualquer forma. Isso significa que você já perdeu, Damian. Porque o medo que você queria plantar entre nós só nos aproximou mais.

O rosto de Damian se contorceu de raiva, exatamente no momento em que os homens de Marcus invadiram o galpão, dominando os capangas dele em questão de segundos.

Aproveitando a distração, Marcus se lançou contra Damian, derrubando o revólver de sua mão antes que qualquer disparo pudesse acontecer.

A luta foi rápida, violenta, terminando com Damian imobilizado no chão, as mãos de Marcus firmes ao redor de seu pescoço, contendo-se visivelmente do impulso de ir além.

— Ele não vale a pena, Marcus — falei, me aproximando devagar. — Deixa a polícia cuidar dele agora. Nós já vencemos.

Marcus hesitou, os olhos ainda carregados de fúria, antes de finalmente soltar Damian, entregando-o aos próprios homens para ser contido até a chegada das autoridades.

Ele se virou para mim, e, sem nenhuma hesitação, sem nenhuma máscara de frieza, me puxou para um abraço apertado, desesperado, como se estivesse recuperando três anos perdidos de uma só vez.

— Nunca mais faça isso — sussurrou contra meu cabelo. — Nunca mais se coloque em perigo por minha causa.

— Você faria o mesmo por mim, Marcus. Já fez, esse tempo todo, do seu próprio jeito silencioso.

Semanas depois, com Damian Kostas preso e sua organização desmantelada graças às provas reunidas ao longo de meses de investigação, Marcus e eu finalmente começamos a construir o casamento que deveríamos ter tido desde o início.

As portas antes trancadas agora ficavam abertas. Os jantares silenciosos deram lugar a conversas que se estendiam noite adentro. E o toque que antes era proibido tornou-se, finalmente, uma linguagem constante entre nós dois.

E você, já teve que esconder seus verdadeiros sentimentos por medo de machucar quem ama? O que te ensinou, no fim, que valia a pena arriscar tudo mesmo assim?

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