Por três anos, Arya Valentino acreditou que não passava de um enfeite dentro da cobertura luxuosa do marido — uma esposa escolhida pra quitar uma dívida e depois silenciosamente esquecida.

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Chapter 5

A decisão final não precisou ser tomada por eles.

Constantine tomou a decisão primeiro.

Três dias depois da conversa sobre Dominic, Arya estava saindo de uma consulta médica de rotina, dois seguranças de Marcus a poucos passos atrás, quando um carro escuro parou bruscamente na frente da clínica.

Tudo aconteceu rápido demais pra processar direito.

Um homem desceu do carro, arma em punho, avançando direto na direção dela.

Os seguranças reagiram instantaneamente, um deles se jogando na frente de Arya enquanto o outro sacava a própria arma, mas o atacante já tinha disparado um tiro que passou perigosamente perto, estilhaçando a vitrine da clínica atrás deles.

Gritos preencheram a rua.

Um dos seguranças de Marcus conseguiu atingir o atacante no ombro, fazendo-o cambalear, mas antes que pudessem capturá-lo, um segundo carro apareceu, e o homem foi arrastado pra dentro em segundos, o veículo desaparecendo na esquina antes que qualquer um conseguisse reagir.

Arya tremia incontrolavelmente enquanto os seguranças a levavam de volta pro carro, ligando freneticamente pra Marcus no caminho.

Ele chegou à cobertura antes mesmo dela, o rosto transtornado de um jeito que ela nunca tinha visto, correndo pra abraçá-la assim que ela entrou pela porta.

— Você está bem? Machucaram você?

— Estou bem, Marcus. Assustada, mas bem.

Ele a segurou com uma força que beirava o desespero, o corpo inteiro tremendo contra o dela.

— Eu devia ter escutado meus próprios instintos e te mantido mais protegida ainda.

— Isso não teria impedido, Marcus. Ele ia tentar de qualquer jeito.

Ele se afastou o suficiente pra olhar nos olhos dela, a fúria finalmente vencendo o medo em sua expressão.

— Chega. Eu não vou mais esperar ele fazer outra jogada. Vou até ele.

— Marcus, isso é exatamente o que ele quer, te atrair pra um confronto direto.

— Então que seja. Eu prefiro enfrentá-lo de frente a viver esperando o próximo ataque contra você.

Naquela noite, Marcus reuniu seus homens mais confiáveis, planejando um confronto direto com Constantine numa propriedade neutra que ambas as famílias usavam ocasionalmente pra negociações delicadas.

Arya insistiu em ir junto, apesar dos protestos furiosos de Marcus.

— Se eu ficar aqui esperando, vou enlouquecer de ansiedade — argumentou ela. — E, além disso, ele quer justamente me usar como fraqueza sua. Talvez seja hora de mostrar a ele que eu não sou fraqueza nenhuma.

Relutantemente, Marcus concordou, desde que ela permanecesse dentro do carro blindado, protegida por dois homens armados o tempo todo.

O encontro aconteceu num armazém abandonado à beira do rio, a chuva voltando a cair pesada sobre o teto de metal.

Salvatore Constantine já estava lá quando chegaram, cercado por seus próprios homens, um sorriso frio no rosto ao ver Marcus se aproximar.

— Valentino. Finalmente decidiu aparecer pessoalmente.

— Chega de joguinhos, Constantine. Isso é entre nós dois. Deixa minha esposa fora disso.

— Sua esposa se tornou parte disso no momento em que você decidiu que ela importava mais do que a própria segurança, Marcus. Foi você que a expôs, não eu.

— Você matou meu pai. Meu irmão. Torturou meu melhor amigo até a morte. Quantas vidas mais você precisa destruir pra se sentir vingado?

Constantine riu, um som vazio, sem calor nenhum.

— Meu irmão foi torturado e assassinado pelos seus homens vinte anos atrás, Marcus. Achou mesmo que uma vida por outra seria suficiente pra apagar essa dívida?

Do carro, Arya observava tudo através da janela levemente embaçada pela chuva, o coração martelando com tanta força que doía.

Foi então que ela viu um dos homens de Constantine se posicionar discretamente atrás de Marcus, a mão deslizando devagar em direção a algo escondido dentro do casaco.

Sem pensar duas vezes, Arya gritou o nome de Marcus, abrindo a porta do carro apesar das ordens explícitas dos seguranças.

— Marcus! Atrás de você!

O aviso dela chegou a tempo.

Marcus se virou rápido o suficiente pra desviar do golpe, mas o movimento repentino desencadeou o caos completo — tiros ecoando por todo o armazém, homens de ambos os lados se movendo rapidamente pra proteger seus respectivos chefes.

Um segurança de Marcus puxou Arya de volta pro carro à força, mas não antes dela ver Marcus mergulhar pra trás de um contêiner de metal, trocando tiros diretamente com os homens de Constantine.

O medo mais puro que ela já sentira na vida a paralisou completamente.

Não pelo perigo em que ela mesma estava.

Mas pela possibilidade real, aterrorizante, de perder Marcus antes mesmo de conseguir dizer tudo o que ela finalmente entendia sentir por ele.

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