Seis mulheres tinham fugido do quadragésimo andar em menos de um mês, e cada boato sobre o misterioso bilionário fazia ele parecer mais um monstro do que um homem

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Chapter 3

Passei o fim de semana inteiro pensando naquele som.

Segunda-feira, cheguei ainda mais cedo, decidida a focar só no trabalho — nas pilhas de planilhas que ninguém parecia querer tocar, nos contratos empoeirados numa gaveta trancada que Lorenzo mandou eu organizar “quando tivesse tempo”, frase que, eu logo entenderia, significava “o mais rápido possível”.

Foi numa dessas planilhas que encontrei.

Um pagamento de fornecedor, repetido três vezes em três meses diferentes, sempre pro mesmo número de conta, sempre um valor ligeiramente diferente. Individualmente, cada um parecia um erro pequeno. Juntos, somavam duzentos mil dólares que tinham saído do caixa da empresa sem nenhuma nota fiscal correspondente.

Fiquei olhando pra tela por quase uma hora, verificando e reverificando, com medo de estar enxergando algo que não existia — ou pior, de estar certa.

Levei a planilha impressa até o escritório de Lorenzo sem pedir permissão pra entrar, coisa que eu nunca tinha feito antes.

“Preciso que você veja isso,” eu disse, colocando o papel na mesa dele.

Ele olhou pra planilha, depois pra mim, com uma expressão que eu não conseguia decifrar.

“Onde você encontrou isso?”

“Nos registros do departamento de suprimentos. Alguém está desviando pagamentos há três meses, e está sendo cuidadoso o suficiente pra parecer erro contábil.”

Lorenzo ficou em silêncio por tempo demais.

“Você sabe o que isso significa?” ele perguntou finalmente.

“Que alguém dentro dessa empresa está roubando de você.”

“Significa que alguém dentro dessa empresa está roubando de mim há tempo suficiente pra saber exatamente como eu reviso os números,” ele disse, a voz baixa e perigosa. “O que significa que é alguém próximo.”

Ele se levantou, foi até a janela, as mãos nos bolsos, olhando pra rua molhada de chuva lá embaixo.

“As últimas secretárias,” ele disse, sem se virar, “encontraram pedaços disso. Nunca o quadro completo. Só o suficiente pra ficarem assustadas.”

“E o que aconteceu com elas depois que encontraram?”

“Eu as mandei embora,” ele disse. “Com um bônus generoso e uma ordem clara de nunca mais falar sobre nada que tivessem visto naquele andar.”

“Elas não fugiram de você,” percebi devagar. “Você as afastou. Pra protegê-las.”

Ele finalmente se virou pra me encarar.

“Você é a primeira que trouxe as provas até mim em vez de sair correndo,” ele disse. “Isso te coloca numa posição muito mais perigosa do que qualquer uma delas jamais esteve.”

Meu estômago apertou, mas por algum motivo, eu não me levantei pra ir embora.

“Então me diz quem é,” eu disse. “E eu te ajudo a provar.”

Pela primeira vez, Lorenzo Rossy olhou pra mim como se estivesse vendo alguém completamente diferente da mulher encharcada de chuva que tinha derrubado uma bolsa inteira na mesa dele semanas antes.

“Tem um microfone escondido nessa sala,” ele disse baixinho. “Há meses. Eu sei onde está. Só não sei ainda quem está do outro lado ouvindo.”

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