Chapter 5
“Você não vai,” eu disse na hora.
“Preciso ir,” Lorenzo respondeu. “Se eu não for, ele sabe que eu sei.”
“E se for uma armadilha?”
“Então pelo menos eu vou entrar de olhos abertos,” ele disse, já se levantando, deixando dinheiro na mesa. “Você fica aqui. Peço pro Dominic te levar até em casa.”
“Não,” eu disse, me levantando também. “Eu vou com você.”
“Não é seguro.”
“Nada nessa história é seguro há semanas,” respondi. “Pelo menos assim eu sei o que está acontecendo.”
Ele hesitou, mas algo no meu olhar deve ter convencido ele, porque, vinte minutos depois, estávamos os dois dentro do carro dele, indo em direção a um armazém às margens do rio, onde Salvatore tinha marcado o encontro.
O lugar estava quase vazio, iluminado só por uma lâmpada pendurada sobre uma mesa velha de metal. Salvatore já estava lá, um homem mais velho, de cabelo grisalho, mãos trêmulas segurando uma pasta contra o peito.
“Lorenzo,” ele disse, a voz rachada. “Eu não queria que chegasse a isso.”
“Então me diga a verdade,” Lorenzo respondeu, parando a alguns metros de distância, o corpo tenso como uma corda esticada.
“Não fui eu que roubei o dinheiro,” Salvatore disse rápido, quase desesperado. “Foi meu filho. Ele tem dívidas de jogo que eu não sabia até ser tarde demais. Ele usou meu acesso, minhas senhas, tudo. Eu descobri há um mês e tentei consertar sozinho antes que você percebesse.”
“E o microfone?” Lorenzo perguntou. “Isso também foi seu filho?”
Salvatore ficou pálido.
“Que microfone?”
A pergunta pairou no ar, e eu vi Lorenzo perceber, no mesmo segundo que eu, que Salvatore estava dizendo a verdade sobre uma coisa e completamente perdido sobre a outra.
“Alguém colocou um microfone no meu escritório há meses,” Lorenzo disse devagar. “Se não foi você nem seu filho, então tem uma segunda pessoa nessa história.”
Foi nesse momento que ouvimos passos atrás de nós.
Dominic, o segurança de confiança de Lorenzo — o mesmo homem que nos tinha trazido até ali — estava parado na entrada do armazém, uma arma na mão, o rosto sem nenhuma expressão.
“Sinto muito, chefe,” ele disse. “Mas você chegou perto demais.”
Lorenzo se colocou instantaneamente na minha frente.
“Foi você,” ele disse, mais afirmação do que pergunta. “O microfone.”
“Os concorrentes pagam bem por informação privilegiada,” Dominic disse, dando um passo à frente. “E você nunca desconfiaria de mim. Foi fácil demais.”
“Até agora,” eu sussurrei, o coração batendo tão forte que eu quase não conseguia ouvir minha própria voz.
Dominic ergueu a arma.
E foi então que as luzes do armazém se apagaram de uma vez.
