Seis mulheres tinham fugido do quadragésimo andar em menos de um mês, e cada boato sobre o misterioso bilionário fazia ele parecer mais um monstro do que um homem

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Chapter 6

No escuro, tudo virou som e instinto.

Ouvi Lorenzo se mover, um baque surdo, um grito abafado de dor que não era dele. Puxei Salvatore pelo braço e nos jogamos atrás da mesa de metal, meu coração martelando tão forte que eu sentia no ouvido.

Um tiro ecoou pelo armazém.

“Roman— Lorenzo!” gritei sem pensar, o nome errado escapando pela adrenalina.

“Estou bem,” a voz dele veio de algum lugar à minha esquerda, tenso mas firme. “Fica abaixada.”

As luzes voltaram segundos depois — Marcus, não, Dominic estava caído perto da entrada, o próprio segurança de Lorenzo o tinha dominado no escuro, o corpo do traidor imóvel no chão, ainda vivo, mas sem chance de fugir.

Lorenzo tinha um corte no braço, sangue escorrendo pela manga da camisa, mas ele mal parecia notar enquanto vinha na minha direção, me ajudando a levantar.

“Você está bem?” ele perguntou, as mãos segurando meu rosto como se precisasse confirmar com os próprios olhos.

“Estou,” eu disse, ainda tremendo. “Estou bem.”

Salvatore, ao nosso lado, chorava baixinho, a pasta ainda apertada contra o peito.

“Eu vou entregar tudo,” ele disse. “Meu filho, o dinheiro, tudo. Só… por favor, deixa ele ter uma chance de se corrigir.”

Lorenzo olhou pro homem que tinha trabalhado ao lado dele por vinte anos, e alguma coisa amoleceu no rosto dele.

“Seu filho vai devolver cada centavo,” Lorenzo disse. “E vai trabalhar pra mim, sob minha supervisão direta, até quitar a dívida. Mas Dominic,” ele olhou pro segurança caído, “Dominic não tem segunda chance.”

Nas semanas seguintes, a polícia levou Dominic sob acusações que eu nem sabia que existiam, o microfone foi removido e destruído, e o dinheiro desviado foi rastreado e devolvido até o último centavo.

O quadragésimo andar, pela primeira vez desde que eu tinha chegado, parecia realmente seguro.

Uma tarde, semanas depois, encontrei Lorenzo parado na minha mesa, segurando algo atrás das costas.

“Você nunca perguntou sobre seu salário,” ele disse.

“Estava ocupada demais impedindo seu império de desmoronar,” respondi, brincando, mas ele não sorriu como eu esperava.

“Eu não sei fazer isso direito,” ele admitiu, e pela primeira vez desde que eu o conhecia, ele parecia genuinamente inseguro. “Nunca tive motivo pra confiar em alguém o suficiente pra tentar.”

Ele tirou as mãos de trás das costas — não um contracheque, mas um pequeno buquê de flores, meio amassado, como se ele tivesse comprado no caminho e não soubesse bem como segurar.

“Isso não é sobre trabalho,” ele disse.

Eu peguei as flores, sentindo o rosto esquentar.

“Eu sei,” respondi.

Seis meses atrás, eu tinha entrado naquele prédio com cinquenta e três dólares na conta e um salto quebrado, achando que aquele seria só mais um emprego que eu não ia conseguir manter.

Em vez disso, encontrei o lugar onde, pela primeira vez na vida, minha bagunça, minhas perguntas demais e minha teimosia em não desistir tinham sido exatamente o que salvou alguém — e a mim mesma, também.

Às vezes a pior primeira impressão que a gente causa é o começo da história mais certa da nossa vida. Já aconteceu de você começar algo do jeito mais errado possível e, no fim, ele se tornar o mais certo?

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