Sem querer, chamei o chefão da máfia mais temido da cidade de “amor” enquanto servia a bebida dele

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Chapter 2

Fiquei parada ali por um tempo que pareceu uma eternidade, incapaz de decidir se devia sair correndo ou simplesmente desmaiar ali mesmo, na frente de quatro homens armados e do chefão mais temido de Cleveland.

— Eu… — comecei, a voz saindo num fiapo. — Me desculpa. Foi sem querer. Eu trabalho desde as duas da tarde e…

— Relaxa — Roman disse, o tom surpreendentemente calmo, quase divertido. — Ninguém vai te machucar por causa de uma palavra.

Um dos seguranças, um homem enorme com uma cicatriz cruzando a sobrancelha, trocou um olhar confuso com os outros, claramente sem entender por que o chefe não tinha reagido do jeito que todos esperavam.

— Senta — Roman disse, apontando para o banco vazio ao lado dele.

— Eu… tenho que voltar para o balcão — respondi, tentando qualquer desculpa que me tirasse dali antes que meu coração explodisse de vez.

— Não era uma pergunta — ele respondeu, mas sem qualquer ameaça na voz, quase como se estivesse se divertindo com a própria situação.

Sentei-me devagar, sentindo os olhares de todo o salão pesarem sobre mim, mesmo sabendo que ninguém ousaria olhar diretamente para aquela mesa por mais de um segundo.

— Qual é o seu nome? — Roman perguntou, fechando o livro-caixa de couro e finalmente me dando atenção total.

— Ivy — respondi. — Ivy Turner.

— Ivy — ele repetiu, como se estivesse testando o som do nome. — E você sempre chama seus clientes de “amor”, Ivy?

Senti o rosto pegar fogo.

— Não. Nunca. Juro que nunca fiz isso antes.

— Então por que fez agora? — ele perguntou, os olhos cinzentos me estudando com uma curiosidade que parecia genuína, não ameaçadora.

Meu celular escolheu aquele exato momento para vibrar de novo dentro do avental, insistente, quase raivoso.

Roman notou.

— Problemas em casa? — ele perguntou, um leve tom de ironia na voz.

— Só o meu namorado — respondi, sem pensar, cansada demais para filtrar as próprias palavras. — Ele só me chama de “amor” quando quer alguma coisa.

Algo mudou na expressão de Roman, sutil o suficiente para que só quem prestasse muita atenção percebesse.

— E foi por isso que a palavra escapou — ele concluiu, mais para si mesmo do que como pergunta.

Assenti, envergonhada, ainda sem entender por que ele parecia tão interessado numa explicação tão banal.

— Esse namorado — Roman continuou, casualmente demais para ser apenas curiosidade —, ele trabalha com o quê?

— Ele diz que trabalha com investimentos — respondi, hesitante. — Mas, para ser sincera, nunca vi muito resultado desses investimentos.

Um dos seguardas, o mesmo com a cicatriz na sobrancelha, trocou um olhar rápido com Roman, algo passando silenciosamente entre eles que eu não consegui decifrar.

— Como se chama? — Roman perguntou.

— Daniel. Daniel Cross.

Vi Roman fazer um gesto quase imperceptível com dois dedos, e o segurança se afastou discretamente da mesa, o celular já em punho.

— Por que você quer saber isso? — perguntei, uma pontada de desconforto crescendo no peito.

— Curiosidade — Roman respondeu, mas algo na forma como ele disse aquilo me deixou com a sensação de que era muito mais do que simples curiosidade.

— Você não vai fazer nada com ele, vai? — perguntei, o pânico subindo rapidamente.

Roman me encarou por um longo momento, avaliando cuidadosamente antes de responder.

— Eu só quero entender por que uma mulher inteligente, trabalhando duro numa casa noturna às duas da manhã, ainda está com um homem que só liga quando quer dinheiro.

Aquela observação me atingiu com mais força do que eu esperava, porque, no fundo, eu mesma já tinha pensado exatamente aquilo várias vezes, sem nunca ter coragem de admitir em voz alta.

— A vida é complicada — respondi, na defensiva.

— Sempre é — Roman concordou, sem julgamento na voz, o que de alguma forma tornava tudo ainda mais desconcertante.

O segurança voltou minutos depois, aproximando-se de Roman e sussurrando algo no ouvido dele. Observei o rosto de Roman mudar sutilmente, os olhos cinzentos escurecendo por uma fração de segundo antes de recuperar a compostura de sempre.

— O que foi? — perguntei, incapaz de conter a curiosidade apesar do medo crescente.

— Nada que você precise se preocupar agora — Roman respondeu, mas o tom da voz dele tinha mudado, mais sério, mais calculado.

— Isso não é nada tranquilizador — falei, meio brincando, meio genuinamente nervosa.

Um pequeno sorriso voltou ao rosto dele, quebrando a tensão momentaneamente.

— Você é corajosa, Ivy Turner. A maioria das pessoas não brincaria comigo depois do que aconteceu hoje.

— A maioria das pessoas provavelmente não está exausta o suficiente para ter perdido completamente o filtro social — respondi, e para minha própria surpresa, ele riu, um som baixo e genuíno que parecia deslocado vindo de um homem com aquela reputação.

— Termina seu turno — Roman disse, se levantando e pegando o paletó. — Meu motorista vai te levar para casa hoje. Sem discussão.

— Isso realmente não é necessário…

— Não era um pedido — ele repetiu, o mesmo tom de antes, mas dessa vez percebi que havia algo protetor ali, não apenas controlador.

Enquanto ele se afastava com os seguranças, meu celular vibrou de novo, e dessa vez, ao olhar a mensagem de Daniel, senti algo diferente da irritação de sempre.

Senti um alerta, baixinho, mas persistente, de que talvez Roman Gallagher tivesse descoberto algo sobre meu namorado que eu mesma ainda não sabia.

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