Sem querer, chamei o chefão da máfia mais temido da cidade de “amor” enquanto servia a bebida dele

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Chapter 5

As semanas seguintes trouxeram uma nova normalidade completamente diferente de tudo que eu tinha vivido antes.

Roman insistiu em manter segurança discreta ao meu redor durante algumas semanas, “só até termos certeza de que os Kovac realmente desistiram”, segundo ele explicou, embora eu suspeitasse que havia mais preocupação genuína do que necessidade estratégica por trás daquela decisão.

Continuei trabalhando no Onyx Club, mas algo tinha mudado sutilmente na dinâmica entre nós. Roman aparecia com mais frequência no salão principal, sempre encontrando um motivo qualquer para conversar comigo durante minutos que se estendiam mais do que qualquer conversa profissional deveria durar.

— Você sabe que ainda não me deve satisfação nenhuma sobre aquela dívida que pagou — falei, numa dessas noites mais tranquilas, enquanto organizava garrafas atrás do balcão.

— Eu não fiz por dever, Ivy — Roman respondeu, sentado num dos bancos altos, algo que ele nunca tinha feito antes daquele episódio todo. — Fiz porque quis.

— Isso não te deixa desconfortável? — perguntei, curiosa. — Homens como você geralmente não gastam quarenta mil dólares sem esperar algo em troca.

Um sorriso lento cruzou o rosto dele, o mesmo sorriso da primeira noite, mas agora sem qualquer sombra de perigo por trás.

— Talvez eu só quisesse a chance de te ouvir chamando alguém de “amor” de propósito algum dia, em vez de por acidente.

Senti o rosto esquentar, incapaz de conter o sorriso que insistia em aparecer.

— Isso foi definitivamente a declaração mais estranha que já recebi.

— Eu tenho um estilo único — ele respondeu, os olhos cinzentos brilhando com um bom humor que ninguém no clube jamais associaria à reputação implacável de Roman Gallagher.

Nos meses seguintes, aos poucos, permitimos que aquilo se transformasse em algo real, construído com cautela devido à vida complicada que ele levava, mas também com uma sinceridade que eu nunca tinha experimentado com Daniel durante os dois anos que passamos juntos.

Roman me apresentou aos poucos ao mundo dele, sempre me protegendo dos detalhes mais perigosos, mas nunca escondendo completamente quem ele era ou o peso das responsabilidades que carregava desde jovem.

— Eu não escolhi essa vida — ele me disse, certa noite, sentados na cobertura dele com vista para o rio. — Ela escolheu a mim, quando meu pai morreu e deixou tudo isso nas minhas mãos aos vinte e três anos.

— Você já pensou em sair? — perguntei, genuinamente curiosa.

— Todos os dias — ele admitiu. — Mas as coisas que eu protejo, as pessoas que dependem de mim, não desaparecem só porque eu desejo uma vida mais simples.

Respeitei aquela honestidade mais do que qualquer promessa vazia que ele poderia ter feito.

Quanto ao Daniel, nunca mais tive notícias diretas dele, apenas rumores ocasionais de que ele tinha se mudado para outro estado, ainda fugindo das próprias consequências, um padrão que provavelmente o seguiria pelo resto da vida.

Resolvi o problema da conta fraudulenta com a ajuda de um advogado que Roman recomendou, processando formalmente a situação e limpando meu nome de qualquer vínculo com as dívidas que Daniel tinha criado sem meu consentimento.

Um ano depois daquela noite em que sem querer chamei o homem mais perigoso de Cleveland de “amor”, encontrei-me novamente na Mesa Quatro, mas dessa vez sentada ao lado dele, não servindo bebida alguma.

— Sabe — falei, brincando, enquanto observava os seguranças de sempre mantendo distância respeitosa —, ainda acho engraçado que tudo isso começou com um erro tão bobo.

— Não foi um erro — Roman corrigiu, passando o braço ao redor de mim com uma naturalidade que ainda me surpreendia, considerando quem ele era para o resto do mundo. — Foi o universo finalmente decidindo que você merecia alguém que realmente te chamasse assim de volta, com intenção.

Ri, balançando a cabeça diante daquele romantismo inesperado vindo de um homem com a reputação que ele carregava.

Às vezes, ainda penso em quantas pessoas por aí continuam presas em relacionamentos que as diminuem, aceitando migalhas de atenção só quando alguém quer alguma coisa em troca, sem perceber que merecem muito mais do que isso.

Se você já teve que atravessar um momento de crise para finalmente enxergar o próprio valor, o que te fez perceber que merecia mais — e você teve coragem de mudar de vida quando essa hora chegou?

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