Sem querer, chamei o chefão da máfia mais temido da cidade de “amor” enquanto servia a bebida dele

Written by

in

Chapter 4

Cheguei ao Onyx Club em menos de vinte minutos, o coração ainda martelando descontroladamente desde a ligação de Roman.

Silas me esperava na porta dos fundos, o rosto sério, guiando-me rapidamente por um corredor privado até um escritório no andar superior que eu nunca soube que existia.

Roman estava de pé perto da janela, o paletó novamente ausente, as mangas dobradas exatamente como na noite anterior, mas agora havia uma tensão diferente em seus ombros.

— Senta — ele disse, apontando para a cadeira à frente da mesa.

Sentei, tentando controlar o tremor nas mãos.

— O que está acontecendo, Roman? Quem são essas pessoas que ligaram para mim?

— A família Kovac — ele respondeu, direto. — Rivais antigos, ambiciosos demais para o próprio bem, sempre procurando qualquer fraqueza para explorar contra a minha organização.

— Isso tem a ver com você? — perguntei, confusa.

— Seu namorado não perdeu dinheiro jogando pôquer casual, Ivy — Roman explicou, sentando na cadeira à minha frente, os olhos cinzentos sérios agora, sem qualquer traço da diversão da noite passada. — Ele foi deliberadamente atraído para um jogo clandestino administrado pelos Kovac, especificamente projetado para endividar pessoas com conexões, mesmo que indiretas, com meus negócios.

Meu estômago revirou.

— Conexões comigo? Eu nem te conhecia até ontem.

— Você trabalha no meu clube há oito meses, Ivy. Isso já era suficiente para os Kovac tentarem usar você como peão numa jogada maior contra mim.

A revelação me atingiu como um balde de água gelada.

— Então isso nunca foi realmente sobre o Daniel apostando demais — sussurrei, juntando as peças lentamente. — Foi um ataque calculado, usando ele como isca para chegar até você através de mim.

Roman assentiu, gravemente.

— Provavelmente descobriram que ele namorava alguém que trabalhava aqui e viram uma oportunidade fácil demais para ignorar.

— E agora eu devo quarenta mil dólares para gente perigosa por causa de um esquema que nem sabia que existia — falei, a voz tremendo entre raiva e um medo profundo.

— Você não deve nada — Roman corrigiu, firme. — Eu já resolvi a dívida.

Encarei-o, chocada.

— Você pagou?

— Já está resolvido — ele repetiu, sem entrar em detalhes financeiros. — Mas isso não significa que o perigo tenha desaparecido completamente.

Antes que eu pudesse perguntar o que ele queria dizer com aquilo, a porta do escritório se abriu abruptamente, e um dos seguranças de Roman entrou apressado.

— Chefe, temos um problema. Dois carros dos Kovac acabaram de parar na entrada principal.

Roman se levantou instantaneamente, todo vestígio de calma cedendo lugar a uma frieza calculada que me lembrou exatamente por que aquele homem era tão temido.

— Leva ela para o quarto seguro no fundo — ele ordenou ao segurança, já se movendo em direção à porta.

— Espera, o que está acontecendo? — perguntei, o pânico tomando conta de mim.

— Eles provavelmente vieram descobrir por que a dívida foi quitada tão rápido — Roman respondeu, sem parar de andar. — E possivelmente para testar até onde posso ir para proteger alguém que nem sequer faz parte oficialmente da minha organização.

— Isso é perigoso demais, Roman.

Ele parou por um instante, olhando de volta para mim com uma expressão que misturava determinação e algo mais suave, mais pessoal.

— Alguma coisa mudou desde que você chamou aquele bourbon de “amor”, Ivy Turner. E eu não vou permitir que ninguém te use como peça de troca só porque isso serve aos interesses deles.

Ele saiu antes que eu conseguisse responder, deixando-me sendo escoltada por dois seguranças através de corredores estreitos até uma sala reforçada, sem janelas, equipada com câmeras de segurança mostrando várias partes do clube.

Assisti, o coração na garganta, enquanto três homens em ternos escuros entravam pela porta principal, Roman avançando para recebê-los no centro do salão, cercado pelos próprios seguranças.

Não conseguia ouvir as palavras através das câmeras silenciosas, mas a linguagem corporal contava a história inteira: tensão crescente, mãos próximas demais de armas escondidas, e Roman, impassível, claramente controlando cada segundo daquele confronto tenso.

Depois do que pareceu uma eternidade, os homens dos Kovac finalmente se retiraram, entrando de volta nos carros e saindo tão rápido quanto tinham chegado.

Só então percebi que tinha prendido a respiração o tempo inteiro.

Minutos depois, Roman entrou na sala segura, o rosto ainda tenso, mas visivelmente aliviado.

— Está resolvido, por enquanto — ele disse, aproximando-se de mim. — Eles vão pensar duas vezes antes de tentar qualquer coisa parecida de novo.

— E o Daniel? — perguntei, ainda tentando processar tudo que tinha acontecido nas últimas horas.

Roman hesitou, algo sombrio cruzando o rosto dele.

— Seu namorado decidiu que era melhor desaparecer sozinho, sem se despedir, assim que percebeu o tamanho da confusão que tinha criado.

A notícia, de forma surpreendente, não me machucou tanto quanto eu esperava.

— Ele fugiu — falei, mais constatação do que pergunta.

— Ele te colocou em perigo, mentiu sobre uma conta em seu nome, e depois sugeriu que você simplesmente desaparecesse para resolver o próprio problema dele — Roman completou, a voz carregada de um desprezo mal disfarçado. — Você merece muito mais do que um homem covarde desse tipo, Ivy.

Encarei aqueles olhos cinzentos, ainda processando o turbilhão de emoções daquele dia inteiro, e pela primeira vez desde que tudo começou, senti algo além de medo.

Senti, inesperadamente, uma pequena centelha de esperança.

← Capítulo AnteriorPróximo Capítulo →

Lista de Capítulos