Sem querer, chamei o chefão da máfia mais temido da cidade de “amor” enquanto servia a bebida dele

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Chapter 3

O motorista de Roman, um homem quieto chamado Silas, me deixou em frente ao meu prédio sem dizer praticamente nada durante todo o trajeto, exceto um educado “boa noite” quando abri a porta do carro.

Subi as escadas exausta, mas com a mente inquieta demais para simplesmente desligar e dormir.

Encontrei Daniel acordado, sentado no sofá, o laptop aberto na mesinha de centro, uma expressão tensa no rosto que ele rapidamente tentou disfarçar assim que me viu entrar.

— Finalmente — ele disse, fechando o laptop rápido demais para ser casual. — Passei a noite tentando falar com você.

— Eu estava trabalhando, Daniel.

— Eu sei, mas precisava saber se você tinha visto meu email sobre a conta conjunta.

Franzi a testa, tirando os sapatos doloridos com um suspiro de alívio.

— Que conta conjunta?

Ele hesitou, um segundo a mais do que deveria.

— Aquela que abrimos há uns meses, lembra? Para as despesas da casa.

Não lembrava de ter aberto conta conjunta nenhuma, mas o cansaço acumulado da noite tornava difícil discutir qualquer coisa naquele momento.

— Vou ver isso amanhã — respondi, indo em direção ao quarto.

Na manhã seguinte, ainda de pijama, tomando café, decidi finalmente verificar meu extrato bancário, algo que eu vinha adiando havia semanas por puro cansaço da rotina exaustiva do trabalho.

O que encontrei me deixou gelada.

Uma conta que eu nunca tinha aberto, vinculada ao meu nome, ao meu número de seguro social, mostrando um saldo devedor de quase quarenta mil dólares.

Corri para o quarto, onde Daniel ainda dormia, e sacudi o ombro dele com força.

— Que diabos é isso? — perguntei, mostrando o extrato impresso na tela do celular.

Ele se sentou de repente, os olhos arregalados, claramente pego de surpresa.

— Ivy, eu posso explicar…

— Explica agora, Daniel.

Ele passou as mãos pelo rosto, a máscara de tranquilidade que ele sempre usava comigo finalmente rachando por completo.

— Eu tive uns problemas com apostas — ele admitiu, a voz baixa. — Nada muito sério no começo, só umas partidas de pôquer com uns caras que conheci através do trabalho.

— Quarenta mil dólares não é “nada muito sério”, Daniel.

— As dívidas foram crescendo, e eu precisava de crédito rápido, então…

— Então você usou meu nome sem me perguntar — completei, a raiva subindo rápido demais para conseguir conter. — Você roubou minha identidade.

— Eu ia pagar tudo antes que você percebesse — ele disse, desesperado. — Eu juro, Ivy.

Meu celular vibrou naquele exato momento, um número desconhecido.

Atendi, ainda tremendo de raiva.

— Ivy Turner? — uma voz masculina perguntou, fria, profissional.

— Quem fala?

— Meu nome não importa. O que importa é que seu namorado deve uma quantia considerável à família Kovac, e já que a dívida está no seu nome, você agora faz parte dessa conversa também.

O sangue gelou nas minhas veias.

— Kovac? — repeti, sentindo o nome ecoar de um jeito perigosamente familiar, já tendo ouvido rumores sobre os rivais mais violentos da família Gallagher.

— Você tem setenta e duas horas para resolver isso — a voz continuou, calma demais para a ameaça implícita nas palavras. — Ou alguém vai precisar visitar você pessoalmente para discutir formas alternativas de pagamento.

A ligação terminou antes que eu conseguisse dizer qualquer coisa.

Encarei Daniel, meu corpo inteiro tremendo entre fúria e um medo que eu nunca tinha sentido antes.

— Você me colocou numa dívida com a máfia, Daniel.

— Eu não sabia que ia chegar a esse ponto — ele choramingou, a covardia finalmente saindo à tona sem qualquer disfarce.

— O que você vai fazer para consertar isso?

Ele desviou o olhar, incapaz de me encarar.

— Eu… eu não tenho o dinheiro, Ivy. E, honestamente, talvez seja melhor você simplesmente sumir por um tempo, deixar as coisas esfriarem…

— Você quer que eu fuja da minha própria vida por causa de uma dívida que você criou? — perguntei, incrédula com o nível de covardia que eu estava testemunhando.

Ele não respondeu, o silêncio dizendo tudo que eu precisava saber sobre o tipo de homem que eu tinha escolhido amar durante os últimos dois anos.

Meu celular vibrou de novo, dessa vez um número que eu reconheci vagamente do bilhete que Silas tinha me entregado na noite anterior, “em caso de emergência”.

Atendi com as mãos tremendo.

— Ivy — a voz de Roman soou do outro lado, calma, controlada. — Preciso que você venha até o clube agora. Encontrei uma coisa que você precisa ver com os próprios olhos.

— Como você sabia que eu ia precisar de ajuda? — perguntei, a confusão se misturando ao medo crescente.

Houve uma pausa breve antes dele responder, e quando finalmente falou, a voz carregava um peso sombrio que me deixou ainda mais apreensiva.

— Porque eu já sabia da dívida antes de você mesma saber, Ivy. E infelizmente, as coisas estão prestes a ficar bem mais complicadas do que você imagina.

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