Seis enfermeiras tinham desistido em cinco dias antes de eu entrar no quarto de Dominic Rossi e encontrar sangue encharcando os lençóis de algodão egípcio

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Chapter 2

Ele se apoiou no cotovelo bom, como se fosse levantar da cama só para me expulsar com as próprias mãos.

— Você não me ouviu.

— Ouvi perfeitamente.

Dei um passo à frente.

— O senhor está com uma infecção que vai virar sepse em menos de quarenta e oito horas se ninguém trocar esse curativo hoje.

— Não é da sua conta o que acontece comigo.

— Passou a ser, no momento em que me chamaram pra vir até aqui.

Ele riu, um som seco, sem humor nenhum.

— As outras cinco eram mais espertas que você.

— As outras cinco foram embora. Eu não vou.

Silêncio.

Ele me olhou de um jeito diferente agora, como se estivesse recalculando alguma coisa.

— Você sabe quem eu sou?

— Sei que o senhor é o motivo de eu ter um emprego essa semana.

Os olhos dele estreitaram, mas alguma coisa no canto da boca quase se moveu. Quase um sorriso.

Aproximei-me da cama devagar, sem tirar os olhos dele, e abri minha bolsa no chão.

— Vou trocar o curativo agora. O senhor pode gritar comigo o quanto quiser, mas não vai me tocar, e eu não vou embora.

— E se eu chamar o Leo pra te tirar daqui?

— Aí eu digo pra ele que o senhor prefere morrer de infecção a deixar uma mulher fazer o trabalho dela.

Ele ficou em silêncio por um longo momento.

Peguei as luvas, a gaze, o soro fisiológico.

— Vou precisar que o senhor se incline um pouco pra frente.

— Não.

— Dominic.

Foi a primeira vez que eu disse o nome dele, e o efeito foi imediato — os olhos dele se fixaram nos meus com uma intensidade que quase me fez recuar.

— Ninguém aqui me chama pelo primeiro nome.

— Eu vou chamar, se for isso que precisar pra você entender que eu não tenho medo do senhor.

Ele se inclinou para a frente, devagar, como se cada centímetro doesse.

Comecei a desenrolar a bandagem velha.

O cheiro chegou antes da ferida aparecer — adocicado, errado, o tipo de cheiro que qualquer enfermeira reconhece na hora.

— Isso está infeccionado há dias — falei baixo. — Por que ninguém trouxe um médico de verdade?

— Médico de verdade faz perguntas de verdade.

— E ferimentos de bala não fazem parte de conversa de jantar, imagino.

Ele não respondeu.

Limpei a ferida com cuidado, e mesmo assim ele fechou a mandíbula com força, o corpo todo tenso.

— Dói.

— Eu sei que dói.

— Você não parece se importar muito.

— Eu me importo o suficiente pra não parar, porque parar agora é pior pro senhor.

Ele me observou trabalhar por um tempo, em silêncio, e eu senti o peso daquele olhar em cada movimento das minhas mãos.

— As outras choravam ou gritavam comigo — disse ele, quase pensando alto. — Você não faz nem uma coisa nem outra.

— Eu já vi coisa pior num plantão de sábado à noite.

Isso pareceu genuinamente surpreendê-lo.

Terminei o curativo novo, apertei a bandagem com firmeza, e me afastei só um pouco.

— Pronto. Amanhã eu troco de novo.

— Quem disse que você vai voltar amanhã?

— Eu.

Peguei minhas coisas e fui até a porta, mas parei com a mão na maçaneta.

— Uma coisa, senhor Rossi.

Ele ergueu os olhos.

— Quem atirou no senhor ainda está por aí. E, pelo jeito como o Leo tranca cada porta dessa casa, alguém aqui dentro sabe exatamente quem foi.

O silêncio que se seguiu não era mais de raiva.

Era de alguém que tinha sido pego de surpresa.

E, pela primeira vez desde que eu tinha entrado naquele quarto, Dominic Rossi não disse uma palavra.

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