Seis enfermeiras tinham desistido em cinco dias antes de eu entrar no quarto de Dominic Rossi e encontrar sangue encharcando os lençóis de algodão egípcio

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Chapter 6

A casa abandonada ficava no fim de uma estrada de terra, cercada por mato alto e silêncio.

Chegamos ao anoitecer, os faróis apagados, apenas o luar guiando o caminho pela última curva.

Dominic insistiu em entrar primeiro.

Eu insisti em entrar logo atrás dele, apesar de tudo o que ele tinha dito no carro sobre eu ficar esperando lá fora.

— Se algo der errado aí dentro, alguém vai precisar cuidar de um ferimento — falei, e ele não teve como discordar.

Ricardo e mais dois homens ficaram de vigia do lado de fora, armas prontas, olhos atentos ao redor da casa.

A porta da frente estava destrancada.

Dentro, o cheiro de mofo e poeira dominava tudo, mas havia luz vinda de um cômodo ao fundo do corredor.

Vozes.

Uma delas era a de Leo.

Dominic avançou sem hesitar, e eu segui logo atrás, o coração martelando no peito.

Encontramos os dois num quarto pequeno e vazio, iluminado apenas por uma lanterna no chão. Marco estava sentado num colchão velho, o braço enfaixado de forma improvisada, pálido, mas vivo. Leo estava de pé ao lado dele, e quando nos viu entrar, não fez nenhum movimento para fugir ou se defender.

Ele só ficou ali, esperando.

— Dominic — disse Leo, a voz cansada. — Eu ia te contar tudo. Só precisava de mais tempo.

— Tempo pra quê? — a voz de Dominic tremia de raiva contida. — Pra decidir se eu merecia saber que meu melhor amigo atirou em mim?

— Eu não tive escolha.

— Sempre tem escolha, Leo.

Marco, do colchão, ergueu a cabeça, os olhos cheios de lágrimas.

— A culpa é minha, Dominic. Eu peguei dinheiro da família sem autorização, dinheiro que devia ir pra proteção do território, e usei pra pagar uma dívida minha que tinha saído do controle. Quando você descobriu que faltava dinheiro, eu soube que ia investigar, e soube que ia descobrir que fui eu.

— Então você preferiu deixar o Leo atirar em mim a simplesmente falar a verdade?

— Eu não sabia que ele ia fazer isso! — Marco gritou, a voz quebrando. — Eu só disse pro Leo que estava desesperado, que não sabia o que fazer. Ele decidiu sozinho que a única forma de te distrair da investigação era te tirar de ação por um tempo. Um ferimento, não uma morte. Ele jurou que ia mirar pra não te matar.

Dominic olhou para Leo, algo se partindo na expressão dele.

— Você atirou no seu próprio chefe, seu amigo de vinte anos, pra proteger o segredo de dinheiro roubado do meu irmão?

— Eu atirei pra te salvar de descobrir que a única família que você tem ainda de pé ia te trair — disse Leo, a voz finalmente falhando. — Eu não sabia mais o que era pior.

O silêncio que se seguiu pesou sobre o quarto inteiro.

Dominic ficou parado por um longo tempo, olhando para os dois homens que, cada um à sua maneira, tinham feito parte da pouca família que lhe restava.

Então, devagar, ele guardou a arma que segurava.

— Marco, você vai devolver cada centavo daquele dinheiro, e vai trabalhar até pagar essa dívida com as próprias mãos, não com balas nas costas de ninguém.

Marco assentiu, chorando em silêncio.

— E você, Leo.

O nome saiu como uma sentença.

— Você vai embora dessa família hoje. Não porque eu quero te matar, embora uma parte de mim ainda pense nisso. Mas porque um homem que mente e atira em quem confia nele não pode mais dormir sob o meu teto.

Leo baixou a cabeça, aceitando, sem discutir.

Do lado de fora, enquanto os homens de Dominic cuidavam da situação, eu fiquei ao lado dele na varanda apodrecida da casa velha, o vento noturno batendo entre nós.

— Você estava certa — disse ele, olhando para o horizonte escuro. — Se eu tivesse vindo sozinho, teria matado os dois lá dentro sem pensar duas vezes.

— Mas não matou.

— Não. Por sua causa.

Ele se virou para mim, e pela primeira vez desde que eu tinha entrado naquele quarto cheio de sangue, seus olhos não guardavam raiva nenhuma.

— Você entrou na minha vida numa das piores semanas da minha existência, Nora, e não fugiu como todo mundo fugiu.

— Eu tinha aluguel pra pagar.

Um sorriso pequeno, quase invisível, cruzou o rosto dele.

— Não foi só isso, e nós dois sabemos.

O silêncio entre nós, dessa vez, não era tenso.

Era outra coisa, algo novo, frágil, ainda sem nome.

Semanas depois, com o ombro totalmente curado e a casa finalmente em ordem, Dominic me pediu para ficar — não mais como enfermeira, mas como alguém que ele queria ao seu lado por outros motivos, motivos que nenhum dos dois tinha coragem de dizer em voz alta ainda.

Eu aceitei.

Porque às vezes a pessoa que entra na sua vida no seu pior momento acaba sendo exatamente a pessoa que te ensina a confiar de novo.

E você, já parou pra pensar em quantas vezes a coragem de ficar mudou o rumo de alguma coisa na sua própria vida?

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