Seis enfermeiras tinham desistido em cinco dias antes de eu entrar no quarto de Dominic Rossi e encontrar sangue encharcando os lençóis de algodão egípcio

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Chapter 3

Os dias seguintes caíram numa rotina estranha.

Eu chegava às sete da manhã, trocava o curativo, media a febre dele, forçava líquidos e remédios, e Dominic resmungava, mas já não gritava mais.

A infecção estava cedendo, devagar.

No quarto dia, encontrei uma folha de papel amassada perto da lixeira do quarto dele, meio escondida atrás da cortina pesada.

Não devia ter olhado.

Mas olhei.

Era uma lista de nomes, alguns riscados, outros com um X vermelho ao lado. No topo, um nome estava circulado três vezes:

Marco Rossi.

O irmão dele.

Guardei a folha de volta exatamente onde estava e saí do quarto com o coração disparado.

Naquela noite, não consegui dormir direito no meu próprio apartamento, pensando naquele nome circulado.

Marco Rossi era o irmão mais novo — eu tinha visto uma foto dele na sala de estar, os dois sorrindo, décadas mais jovens, abraçados numa festa qualquer.

Por que o nome dele estaria numa lista de suspeitos?

No dia seguinte, cheguei mais cedo que o normal.

A casa ainda estava quieta, só o som distante de água correndo em algum banheiro no andar de cima.

Passei pelo corredor perto do escritório de Dominic quando ouvi vozes abafadas atrás da porta entreaberta.

Reconheci a voz de Leo.

E outra voz, mais grave, que eu nunca tinha ouvido antes.

— Ele não pode saber que você esteve aqui — disse Leo, num tom baixo e urgente.

— Ele vai saber de qualquer jeito, mais cedo ou mais tarde.

— Então que seja mais tarde. Ele ainda está fraco demais pra lidar com isso agora.

— E se a enfermeira descobrir antes dele?

Meu corpo congelou no corredor.

— Ela não vai descobrir nada — respondeu Leo. — Ela só está aqui pra cuidar do ferimento.

— Você tem certeza disso, Leo?

Um silêncio pesado se seguiu.

Recuei um passo, tentando não fazer barulho, mas meu ombro bateu de leve numa mesinha ao lado, e um vaso balançou.

As vozes pararam imediatamente.

Corri para o quarto de Dominic o mais rápido e silenciosamente que consegui, o coração martelando no peito.

Quando entrei, ele estava sentado na cama, mais alerta do que eu tinha visto em dias, os olhos escuros fixos em mim.

— Você está atrasada.

— Só alguns minutos.

Ele me estudou por um longo momento, como se tentasse ler alguma coisa no meu rosto.

— Aconteceu alguma coisa?

Pensei na lista de nomes.

Pensei nas vozes atrás da porta.

Pensei no nome de Marco circulado três vezes em vermelho.

— Não — menti, abrindo minha bolsa com as mãos que tremiam de leve. — Nada aconteceu.

Ele continuou me olhando enquanto eu preparava o material, e por um segundo tive a sensação desconfortável de que ele sabia exatamente que eu estava mentindo.

— Nora.

Levantei os olhos.

— Se você descobrir alguma coisa nessa casa que não devia ter descoberto — disse ele, devagar, cada palavra pesada —, é melhor você vir falar comigo primeiro.

Minha mão parou no ar, segurando a gaze.

— Por quê?

Ele se inclinou um pouco para a frente, os olhos fixos nos meus com uma intensidade que não deixava espaço para dúvida.

— Porque as pessoas que descobrem coisas nessa casa e não vêm falar comigo primeiro geralmente não têm uma segunda chance.

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